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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Artigo discute possíveis causas do alagamento da UnB

Explicações e respostas para a enxurrada no Minhocão
Sérgio Koide,professor da Faculdade de Tecnologia UnB


As chuvas intensas tendem a ser concentradas no tempo e no espaço e com frequência inversamente proporcional à intensidade. Assim, a tendência é de que, mesmo quando a chuva acontece em uma região mais ampla, ela tende a ser mais intensa em uma área menor. Isso é particularmente comum aqui na região do DF. Em geral, todos notam que aqui é comum vermos uma chuva muito intensa acontecer em um lugar e muito perto ter chovido muito pouco. Dependendo de onde essa área ocorra, é onde temos problemas maiores.

Na reportagem publicada pelo portal da UnB, há um equívoco na redação do que eu falei. Eu disse que no Inmet, localizado junto ao Sudoeste, foi registrada uma chuva de cerca de 25mm em uma hora, o que não é tanto assim. Mas, pelo relato do professor Ricardo Bernardes (professor de Drenagem Urbana e um dos grandes especialistas da UnB em gestão de águas pluviais), que estava na Colina na hora no temporal, a chuva deve ter sido bem mais intensa.

Em 2009, também em abril, ocorreu uma chuva com registros pelo Inmet com valores da ordem de 70mm em uma hora. Essa chuva esteve muito concentrada em torno do Eixo Monumental. A enxurrada nas quadras 201 e 202 foi tanta que alagou o subsolo de vários prédios comerciais e a passagem subterrânea no eixão. No entanto, as inundações só ocorreram nessa área.
Os sistemas de drenagem de águas pluviais compartimentam a drenagem por setores. Por exemplo, os dutos que drenam a Esplanada não têm interferência com os que drenam a parte da Asa Norte em que a UnB está. Neste evento do domingo, as águas alagaram a L3, passaram pelo estacionamento da FT e atravessaram as passagens pelo interior dos prédios da FT (isso ainda não tinha ocorrido na FT).

No ICC, já aconteceu desastre semelhante ao de domingo no início da década de 1970. O subsolo ficou todo alagado, e segundo relato do professor Francisco Pereira (professor da Engenharia Civil na época), com as águas entrando pelas aberturas dos auditórios, como as cenas vistas agora. A Copeve (que virou Cespe), que ficava no subsolo, inclusive perdeu equipamentos e provas que foram submersas. Na época em que entrei como aluno da UnB, eu ainda tive a oportunidade de ver a marca de enchente nas paredes dos auditórios. Quem é mais antigo aqui deve se lembrar.

Acho que o ICC, pelo seu porte e importância, não deve ser protegido por um sistema convencional de drenagem urbana, que estará sujeito a ser insuficiente de tempos em tempos. Acho que temos que pensar em soluções mais permanentes. 

Por que não pensarmos em barreiras físicas ambientalmente razoáveis e com um desenho urbanístico que valorize a área entre o estacionamento e o ICC e que ao mesmo tempo impeçam a água de chegar ao prédio? Isso, além de um projeto de engenharia de manejo das águas pluviais que contemple um tempo de recorrência compatível com a importância do ICC e não com valores usualmente utilizados em projetos comuns, que provavelmente foram utilizados no dimensionamento da rede hoje existente.

Publicado no Portal UnB.

terça-feira, 12 de abril de 2011

E o PDOT com isso? Alagamento na UnB pode ser um alerta

Brasília, 50 anos. UnB alagada. Problema da UnB?
Alagamento na UnB. Uma torrente de água desce em direção ao lago Paranoá, seguindo o percurso de mais baixo relevo e fez da área de ventilação do ICC um salto de cachoeira.
Acabamos, todos, falando do 'alagamento da UnB', pois foi na UnB que a água parou, foi no ICC que a água formou verdadeiros 'piscinões' e derrubou paredes.
Mas o Sistema Ambiental, sempre, funciona em ciclo. Para entender, não podemos olhar somente para o ICC (temos que olhar, sim, para restaurar, etc), mas devemos voltar os olhos na direção de que veio a água.
Como quem procura um ponto (ou vários pontos) de desequilíbrio no Sistema. Em pleno momento de discussão do PDOT (Plano Diretor de Ordenamento Territorial) na Câmara Legislativa do Distrito Federal, não podemos, mesmo, pensar que o alagamento na UnB é um problema da UnB.
Não é.
É um problema urbano de Brasília, Distrito Federal. Brasília, a cidade que vai precisar se reinventar aos 50anos. Para não sucumbir. Não queremos, certo?
Mãos `à obra, não só na reconstrução dos espaços da UnB, mas em um olhar mais amplo sobre o contexto urbano, as modificações ambientais que estão acontecendo (setores novos a cada dia, ruas qualhadas de faixas de 'lançamentos imobiliários', áreas de reserva progressivamente desmatadas... e por aí vai).

Piscinões

Falando em piscinões, quando começaram em São Paulo, pensa-se 'é um ano ou outro', 'foi um caso esporádico'. Hoje, virou rotina. É esse o caminho para Brasília? Ficaremos, comunidade do Distrito Federal, de braços cruzados esperando os piscinões anuais? depois semestrais? mensais? semanais? 
Sobre a questão da drenagem na Asa Norte, veja o link abaixo
http://unbagencia.wordpress.com/2011/04/11/porque-o-icc-alagou/
Outra reportagem, vídeo, produzida pelo Blog A República
http://www.youtube.com/watch?v=39GUbwE05HE&feature=player_embedded